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A proposta das zebras se tornou um lema dos empreendedores que criam negócios em busca de propósito e lucro. Entenda o que significa ter uma startup nessa liga

 

Você provavelmente ouviu falar muito dos unicórnios nos últimos anos: são startups que crescem aceleradamente e conquistam uma avaliação de mercado de ao menos US$ 1 bilhão. Já temos 11 negócios brasileiros do tipo, desde o aplicativo de mobilidade urbana 99 até o marketplace de imóveis Loft. Internacionalmente, porém, os unicórnios foram trocados pelas zebras por alguns empreendedores e investidores.

As zebras são startups criadas visando propósito e lucro. Elas receberam holofotes depois de casos como a WeWork, rede de coworkings que enfrentou uma grande desvalorização de mercado e teve até mesmo de suspender sua oferta pública inicial de ações (IPO). Nesse sentido, as zebras se apresentam como uma alternativa de negócios com menos dependência de capital externo e com viabilidade mais “real.”

As zebras também surgem como uma resposta à falta de diversidade de gênero, raça e histórico de vida entre os fundadores de startups, seus investidores e seus funcionários. “Os fundadores de zebras e seus aliados acreditam que criar uma alternativa mais ética e inclusiva em relação ao status quo do Vale do Silício é um imperativo moral”, escrevem as empreendedoras e fundadoras do movimento Zebras Unite, Jennifer Brandel, Mara Zepeda, Astrid Scholz & Aniyia Williams.

“Para construir qualquer coisa humana, incluindo tecnologia, precisamos apoiar pessoas que vivem um problema e criam soluções bravamente, usando essa experiência.”

As fundadoras do Zebras Unite colocam cinco perguntas que devem guiar a produção de produtos e companhias éticas e humanas, ou zebras. Veja quais são elas e entenda mais sobre as zebras:

  1. O produto foi desenhado por ou para as pessoas afetadas? O designer da solução deve ser um facilitador, e não um especialista. Construa seu produto junto com a comunidade que ele atenderá.
  2. O produto inova ou conserta? As zebras não seguem o mandamento de “mover-se rápido e quebrar coisas”, muito praticado no Vale do Silício. Essas startups firmam processos que garantem parcerias privadas, públicas e com a comunidade. O objetivo é que todas as instituições sejam empoderadas e atuem de forma sustentável.
  3. O produto machuca ou cura nós mesmos e o planeta? Não construa soluções que resultem em vício ou em destruição de recursos naturais. Os novos modelos de negócio devem ser criados para melhorar a saúde de nossas mentes e do meio ambiente.
  4. O produto gera resultados para poucos ou a riqueza é compartilhada? Sabemos como poucos investimentos de capital de risco vão para fundadoras de startups do gênero feminino, por exemplo. As próprias empreendedoras do Zebras Unite passaram por essa experiência: Aniyia WIlliams vendeu sua ideia para 100 investidores e obteve apoio de apenas dois.

As zebras criam prosperidade para criadores e funcionários mais diversos. Por isso, andam lado a lado com programas de desenvolvimento econômico e de criação de negócios a partir de investimentos modestos. O próprio Zebras Unite está criando um fundo para apoiar negócios que seguem a filosofia do movimento.

  1. O produto recompensa acionistas ou participantes do ecossistema? A alternativa para modelos que dependem dos investidores é considerar que seus usuários, funcionários e outros participantes no negócio têm uma participação no valor criado pela sua zebra. Pense em estruturas societárias que atendam um interesse mais coletivo. “Quando o retorno aos acionistas supera o bem-estar coletivo, a democracia é ameaçada. O modelo de negócio cria o comportamento. Em escala, esse comportamento pode ter efeitos até mesmo destrutivos”, escreve o Zebras Unite em seu manifesto.

 

Link original: https://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2020/04/quem-sao-zebras-startups-que-consertam-o-que-unicornios-quebram.html

Fonte: Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios

Esqueçam os unicórnios. Startups deveriam ser camelos

Estamos diante de uma das maiores transições da história da humanidade na forma como trabalhamos. Prepare-se para sair mais forte

 

No Vale do Silício, todo o ecossistema está alinhado em torno de um grande objetivo: cultivar unicórnios – startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Até pouco tempo atrás, unicórnios eram considerados casos raros, mas nos últimos dois anos o número de empresas que se encaixam dentro dessa classificação aumentou e agora já são mais de 350 ao redor do mundo. A opinião é de Alex Lazarow, investidor de venture capital, em coluna para o site Entrepreneur.

No mercado atual, unicórnios representam mais do que valor de mercado, são uma filosofia e um processo de construir startups. Quando virar um unicórnio se torna um objetivo, um crescimento rápido e agressivo é perseguido. Como ferramentas para alcançar os objetivos, são usados  abundante capital de risco, um time experiente e talentoso e um suporte vasto no ecossistema.

A abordagem funcionou no Vale do Silício por um tempo, mas com as recentes decepções nas aberturas de capital de grandes startups como Uber e WeWork, a estratégia perdeu força. Além disso, para as startups que não estão no Vale e nunca tiveram capital de sobra, esse nunca pareceu ser um objetivo sustentável.

Em paralelo à obsessão pelo mundo encantado dos unicórnios, ecossistemas menores começam a testar modelos diferente de gestão e crescimento. É o que Lazarow chama de startups “camelos”. Camelos se adaptam a múltiplos climas, sobrevivem sem comida e água por meses e, quando a hora é certa, conseguem correr rapidamente por períodos relevantes de tempo.

Diferentemente dos unicórnios, camelos não são criaturas fantásticas que vivem no mundo da ficção. Eles são reais, resilientes e podem sobreviver nos locais mais inóspitos do planeta. Por mais que a metáfora não seja tão “glamourosa” quanto a adotada até agora, as startups camelos priorizam a sustentabilidade e, portanto, a sobrevivência.

Abaixo, veja quatro lições desse modelo:

Sem subsídios
No Vale do Silício, empreendedores estão dispostos a subsidiar seus produtos porque há capital de sobra e sua eficiência é julgada pelo crescimento da base de consumidores – dando menos atenção aos custos e à lucratividade. Isso deveria ser repensado. Empresários que trabalham em mercados menos desenvolvidos não encaram a questão da mesma forma. Eles cobram os clientes por seus produtos. Essas empresas entendem que o valor do produto final não deveria ser uma barreira, mas, sim, refletir sua qualidade.

Gestão de custos
Startups camelos tendem a gastar de maneira mais sincronizada com sua curva de crescimento. Por exemplo, novas contratações devem ser justificadas por crescimentos em receita; investimentos em marketing devem crescer de modo apropriado com o negócio; e gastos não podem, de jeito nenhum, ir além do planejado. Para Lazarow, essa combinação gera resiliência para problemas encontrados pelo caminho e pode trazer mais tempo para negócios crescerem e construírem modelos sustentáveis.

Somente o necessário
Venture capital é uma ferramenta poderosa. No entanto, ela não funciona para todos empreendedores e nem toda startup precisa desse tipo de investimento. As startups camelo sabem disso. Por isso, levantam somente o necessário quando o assunto é investimento de risco, quase sempre para propósitos específicos e bem alinhados. Como resultado, empresários mantêm mais controle sobre seu negócio – e ainda ficam com uma fatia maior da “torta”, caso venda a empresa.

Visão a longo prazo
Fundadores dessas startups sabem que construir um negócio de sucesso não é uma corrida de curta distância. Para esse modelo de negócio, sobrevivência é a estratégia principal, o que leva tempo. Nesse período, startups devem trabalhar para desenvolver um modelo de negócio sólido, criar um produto que seja do interesse dos clientes e estruturar a distribuição com clareza. Para Lazarow, o que importa não é quem chega antes ao mercado, mas quem sobrevive mais tempo.

 

Link original: https://epocanegocios.globo.com/Startup/noticia/2020/04/esquecam-os-unicornios-startups-deveriam-ser-camelos.html

Fonte: Época Negócios